PMDB deixa o governo da presidente Dilma e determina que ministros entreguem cargos

Romero Jucá comandou reunião que marcou saída do partido do governo (Foto: PMDB/Facebook)
O Diretório Nacional do PMDB decidiu nesta terça-feira,
29, por aclamação, romper oficialmente com o governo da presidente Dilma
Rousseff (PT). Na reunião, a cúpula peemedebista também determinou que os seis
ministros do partido e os filiados que ocupam outros postos no Executivo federal
entreguem seus cargos.
O vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB,
Michel Temer, não participou da reunião que oficializou a ruptura com o governo.
O encontro partidário foi realizado em um dos plenários de comissões da Câmara
dos Deputados.
Comandada pelo primeiro vice-presidente do PMDB, senador Romero
Jucá (PMDB-RR), a reunião durou menos de cinco minutos. Após consultar
simbolicamente os integrantes do partido, Jucá decretou o resultado da votação.
“A partir de hoje, nessa reunião histórica para o PMDB, o PMDB
se retira da base do governo da presidente Dilma Rousseff e ninguém no país está
autorizado a exercer qualquer cargo federal em nome do PMDB”, enfatizou.
A decisão do PMDB aumenta a crise política do governo e é vista
como fator importante no processo de impeachment de Dilma. Há a expectativa de
que, diante da saída do principal sócio do PT no governo federal, outros
partidos da base aliada também desembarquem da gestão petista.
Atualmente, o PMDB detém a maior bancada na Câmara, com 68
deputados federais. O apoio ao governo, porém, nunca foi unânime dentro da sigla
e as críticas contra Dilma se intensificaram com o acirramento da crise
econômica e a deflagração do processo de afastamento da presidente da República.
Na reunião desta terça, os peemedebistas decidiram que todos os
seis ministros da legenda terão que deixar os cargos. Quem descumprir a medida
poderá sofrer sanções.
Até esta segunda-feira, 28, o PMDB ocupava sete cadeiras no
primeiro escalão do governo Dilma. No entanto, Henrique Eduardo Alves, um dos peemedebistas mais próximos de Michel Temer, se
antecipou à decisão da cúpula e entregou seu cargo a Dilma.
O vice-presidente da República, Michel Temer, não compareceu à
reunião, sob o argumento de que não desejava “influenciar” a decisão. No
entanto, ele teve participação ativa na mobilização pelo desembarque do partido
e passou toda a segunda-feira em reuniões com parlamentares e ministros do PMDB,
em busca de uma decisão “unânime”. 
Dilma também lançou mão dos últimos esforços para tentar
resgatar o apoio do partido. Na manhã de segunda, ela chamou ao seu gabinete no
Palácio do Planalto seis dos sete ministros do PMDB para avaliar o cenário. No
entanto, no fim do dia, Henrique Alves, um dos presentes ao encontro, apresentou
a sua carta de renúncia.
Apesar do desembarque, Temer continuará na Vice-Presidência da
República sob o argumento de que foi eleito pela população na chapa de Dilma e
de que não ocupa, portanto, cargo de submissão à presidente. (Com informações do G1, em Brasília).
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