Pagando preço melhor, Estados Unidos são o principal destino do sal potiguar para derreter neve

Porto Ilha Grande volume do sal exportado sai do Porto-Ilha de Areia Branca (Foto: Ney Douglas)

Pelo menos um setor da economia do Rio Grande do Norte não é afetado pelo quadro de seca no estado. A indústria salineira, que depende exclusivamente do sol e do vento para produzir, comemora recuperação no preço da tonelada no mercado interno e aposta no inverno dos Estados Unidos para continuar comercializando para o mercado externo. 

O setor deve aumentar entre 20% e 25% as exportações para o mercado americano, passando das 311.950 toneladas em 2014 para até 389.937 toneladas em 2015, favorecidas, também, pela alta do dólar. 

A safra do sal do estado começa a ser colhida agora, entre final de novembro e dezembro, e espera-se uma produção de 7,5 milhões de toneladas este ano, mesmo volume do ano-safra de 2014, que teve um aumento de 36,36% em relação a 2013. 

O presidente do Sindicato da Indústria de Moagem e Refino de Sal do RN (Simorsal), Renato Fernandes da Silva, disse que a estiagem tem uma influência direta no crescimento da produção. Segundo ele, basta um dia nublado para afetar a produção, que depende do sol e dos ventos para prosperar. 

Renato Fernandes ressalta que este ano há garantia de recuperação nas exportações e o preço da tonelada vendida aos Estados Unidos deve girar entre 26 dólares e 28 dólares, enquanto no mercado interno fica entre R$ 40 e R$ 50, “num viés de recompor o preço” que há três anos atingia R$ 180. “Os Estados Unidos remuneram melhor”, comemora o salineiro. 

O valor baixo do mercado interno forçou os produtores do RN a buscarem alternativas no mercado internacional.  Mas, apesar da recomposição que os produtores festejam, o Porto-Ilha de Areia Branca, por onde a produção de sal é escoada para o resto do país e para o mundo, é um gargalo que ainda emperra a exportação de uma demanda maior.

0 renatoRenato Fernandes diz que estiagem tem influência direta no crescimento da produção (Foto: Wellington Rocha)

A solicitação de melhoria por parte dos descarregadores de barcaças acontece, principalmente, porque já há contratos fechados para exportação a 16 estados americanos, que esperam um inverno tão rigoroso como no ano passado. O inverno por lá começa em dezembro e tem seu pico geralmente em fevereiro. 

Em 2014, Nova Iorque registrou -34 °C. Em alguns estados a neve atingiu 38 cm de altura e os prognósticos são de quem este ano o inverno também seja rigoroso. O sal natural é importante para dissolver o gelo que acumula nas estradas e ruas dos Estados Unidos.

Desde julho que os salineiros potiguares buscam o mercado internacional para escoar a produção que no Brasil ainda está com o preço da tonelada aquém da média. O melhor mercado para exportar o sal do RN ainda é a terra do Tio Sam. Os Estados Unidos são o segundo maior produtor de sal do mundo com 45 milhões de toneladas/ano e importa 18 milhões de toneladas/ano.

Porto-Ilha

O inverno rigoroso de 2014 abriu as portas do sal potiguar para o mercado comercial mais importante do mundo. E isso tem uma explicação: o produto local tem 88.99% de pureza do cloreto de sódio e é o que os americanos precisam para dissolver a neve que amontoa nas estradas e impede o transporte naquele país. 

Se de um lado abre-se um mercado promissor lá fora, no Porto-Ilha de Areia Branca, por onde a produção é escoada, há problemas que impedem o aproveitamento da demanda. E na reunião que os produtores tiveram com o governador pediram a interferência dele junto à Secretaria de Portos do Ministério da Pesca. 

Os salineiros reivindicam melhorias no descarregador de barcaças que hoje, segundo Renato Fernandes, é a única área sensível do porto que, em 2013, passou por uma reforma e ampliação. Por isso, os salineiros querem formar uma comissão capitaneada pelo governo do estado para reivindicar no Ministério da Pesca um descarregador potente para atender a demanda de produção.

0 SalinasAreia Branca concentra um dos maiores parques salineiros do país (Foto: Reprodução) 

O RN tem mais de 100 produtores de sal segmentados entre micro, pequenos, médios e grandes,  mas apenas a empresa Salinor responde por 45% da produção nacional. A Salinas do Nordeste SA que produz, sozinha, 2,5 milhões de toneladas/ano. A produção é concentrada nos municípios de Areia Branca, Galinhos, Grossos, Guamaré, Macau, Mossoró e Porto do Mangue. 

A produção de sal no Rio Grande do Norte gera na cadeia produtiva 15 mil empregos diretos, além de 75 mil indiretos, com salário médio de R$ 1.500. Trata-se de uma demonstração da empregabilidade do setor, que não precisa de uma mão de obra qualificada. (Com informações de Sílvio Andrade/Novo Jornal).

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