Opinião: Um futuro difícil para as oposições em Areia Branca

BRUNISMO União de Bruno Filho e “Souza” decretou falência do sistema de oposição

O acúmulo de derrotas nos últimos pleitos majoritários é um prenúncio de que tempos muitos difíceis virão para as oposições areia-branquenses. Isso é uma evidência que não se pode negar, porque, de fato, quatros fracassos consecutivos não acontecem à toa.

Essa realidade é o resultado do frágil contrapeso dos oposicionistas, assentados em métodos ultrapassados de fazer política e de governar, de encontro ao rolo compressor da eficiência político-administrativa do atual grupo que detém o poder.

Tudo começou há cerca de 14 anos, quando o “Brunismo” deu início a uma nova forma de administrar até então desconhecida pelos areia-branquenses. E, depois, o recém-nascido estilo de gerir foi e tem sido ampliado, modernizado e aperfeiçoado nesses 6 anos de “Souzismo”.

Os governistas descentralizaram a gestão, delegando poderes a gerentes e coordenadores, que levaram os benefícios dos programas sociais do governo municipal diretamente à população, sem que houvesse interferência de lideranças locais. Assim, foi eliminada a antiga dependência da administração central em relação aos chefes políticos localistas, principalmente nas áreas rurais, onde as oposições eram mais fortes. A administração saiu dos gabinetes e foi até o povo, que sentiu orgulho de ser lembrado e valorizado, além receber diretamente das mãos do Poder Público as benfeitorias a que tinha direito e nunca havia recebido.

Escolas, creches, unidades de saúde e complexos esportivos foram construídos, restaurados e modernizados, diminuindo cada vez mais a necessidade de deslocamento à sede do município dos moradores da zona rural. No centro da cidade, as unidades de saúde passaram a contar com médicos e outros profissionais especialistas em diversas áreas. Todos esses eram fatos inimagináveis em Areia Branca quando as atuais oposições detinham o comando.

A administração municipal bateu à porta das pessoas com Programas de Saúde da Família, buscando descobrir os problemas antes que se agravassem e saíssem da esfera das Ações Preventivas. Do mesmo modo, “entrou-se nas salas de aula” com Programas de Saúde na Escola. O povo não precisou mais ir até o governo, porque este se instalou dentro de suas escolas e de sua própria casa para ajudá-lo. E eliminou-se, dessa maneira, a figura do antiquado político localista dos anos 80 e início dos 90 do século passado, que prestava assistência social às antigas populações desamparadas como forma de obter prestígio popular.

No tocante à “saúde curativa”, a demora do Governo do Estado em dar sua contrapartida para concluir as obras do Hospital Sarah Kubitschek atinge diretamente as oposições areia-branquenses, que são representantes da gestão estadual na cidade. O fato realmente tem causado um desgaste adicional para os oposicionistas e, embora a contraparte do Poder Estadual possa alavancar ainda mais a popularidade do governo municipal, se ela não vier, o desgaste em questão poderá se converter no primeiro passo para a completa digestão das oposições em Areia Branca.

A política salarial do governo atual, que não registra em seu histórico um mês sequer de atraso, fortaleceu o comércio local, que passou a ter confiança para oferecer crédito aos areia-branquenses. O contraste de pagar os salários dentro do mês trabalhado, que acontece nos dias de hoje, em relação aos cerca de 11 meses de atraso de pagamentos no final 1996, quando as oposições ainda estavam no poder, mostra o quão distante está o bloco governista para ser alcançar e ameaçado de perder o comando. O servidor público e a população em geral já não aceitam ter seus direitos desrespeitados e, certamente, não quererão devolver o poder a quem não lhes deu valor. O povo, faz tempo, deixou de ser ingênuo.

Numa demonstração de coragem, em meio a uma crise econômica que atingiu o mundo inteiro, o município implantou políticas habitacionais, muitas delas com recursos próprios, que resultaram na construção de aproximadamente 600 moradias. Mais uma vez, o governo não esperou por reclames nem recorreu à intermediação de lideranças localistas. Fez o contato diretamente com as populações carentes, oferecendo-lhes a oportunidade de ter sua casa própria.

O discurso das oposições é neutralizado em todos os setores pelos resultados das ações governamentais. Por exemplo, a cobrança da reconstrução do Cine Miramar, como forma de resgatar a cultura areia-branquense, perde o senso lógico, quando se sabe que, na época do governo das oposições, o cinema já estava condenado a desmoronar e nada foi feito. Também, naquele tempo, não se via em Areia Branca nenhuma ação de governo de incentivo à cultura popular, como se vê, na atualidade, nos Festivais de Teatro e de Músicas que, no ano passado, fizeram com que grupos de cultura locais ganhassem prêmios em nível nacional, levando o areia-branquense a orgulhar-se de sua Terra em qualquer lugar do país. Ainda, nos 20 anos de administração das oposições, era triste ver o povo carente, durante o carnaval, ficar parado do lado de fora do Ivipanim Clube, escutando as marchinhas de carnaval tocadas somente para as elites, que podiam pagar o ingresso. O governo de hoje levou o carnaval para as ruas e qualquer cidadão pode dançar ao som de bandas de renome, sem ter que gastar um centavo. Isso não foi tudo, o novo carnaval se converteu em mais uma oportunidade de trabalho para pessoas comuns e de investimentos para o empresariado. A cidade hoje é conhecida como palco do maior carnaval do Estado.

Devido a dois afastamentos dos governistas por decisões judiciais, um na segunda gestão de Bruno e, outro, na primeira de Souza, as oposições tiveram a chance de frear o rolo compressor do Souza-Brunismo. Não puderam ou não souberam. E os maus resultados dessas duas oportunidades em que os oposicionistas assumiram o poder foram o maior “cabo eleitoral” para as vitórias de Souza nas últimas duas eleições municipais. O povo não pôde deixar de comparar os dois blocos políticos e fez a sua escolha.

Enfim, levando-se em conta que manter a eficiência da máquina administrativa, cumprir as obrigações legais, fiscais e salariais não vão além de uma obrigação do poder público, não resta dúvida que um governo moderno é julgado pela capacidade de oferecer e aumentar, de maneira eficiente, as oportunidades de acesso da população à Educação, à Saúde, à Cultura e à Segurança. E a realidade local nos mostra que, há muito tempo, os governistas assumiram a vanguarda desse processo. Assim, vê-se que a estrada das oposições areia-branquenses para retomar o poder se encontra recheada de obstáculos quase intransponíveis. Como conseqüência, há a necessidade de refazer caminhos. E, para isso, os oposicionistas têm que marcar posição para que exista um ponto referencial de onde se vai partir. E o primeiro passo seria a auto-avaliação e o reconhecimento de que estão derrotados. Não é aceitável que se perca quatro eleições consecutivas e, cada um, individualmente, queira-se acomodar e viver de glórias do passado, colocando a culpa do fracasso no companheiro. É preciso demarcar o terreno que restou e daí elaborar um projeto que supere a inegável eficiência político-administrativa do governismo e o carisma de seus líderes. É crucial criar propostas que possam retomar a vanguarda do processo de desenvolvimento no município. E o mais difícil, e quase impossível, é que se tem, a todo custo, que fazer com que o povo acredite em todos esses planos, ainda que eles estejam saindo de um grupo que já esteve mais de vinte anos no poder e nunca tenha elaborado nem realizado nada dessa natureza. Fazer tudo isso, portanto, é absolutamente necessário, pois, caso contrário, as oposições areia-branquenses correm o risco de, no difícil caminho de volta ao poder, afundarem-se na areia movediça de seus próprios desencontros e desaparecerem para sempre.

De Brasília, Marcelo Mendonça

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