“O que eu dei foi oração. Ele lutou por conta própria”, disse a mãe do novo presidente do STF, um batalhador que traçou o próprio caminho

BeneditaGomesdaSilvaBenedita Barbosa, mãe do novo presidente da mais alta corte do Brasil

Sentada na primeira fila do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), Benedita Barbosa, 76 anos, aguardava ansiosa para ver seu filho, o ministro Joaquim Barbosa, assumir a presidência da mais alta corte do Brasil.

Para Benedita, o ministro é um batalhador que traçou o próprio caminho. “O que eu dei foi oração, ele lutou por conta própria”, disse, enquanto distribuía abraços e beijos nos sobrinhos e netos que vieram prestigiar a posse de seu filho.

Benedita diz que não preparou nada especial para Barbosa no dia da posse. Ficou feliz que conseguiu dar um abraço no filho antes da cerimônia. “Não dou conta mais de cozinhar”, afirma, lembrando que o que o novo presidente do STF mais gosta de comer é “galinha caipira”.

Questionada qual seria o próximo passo de Barbosa, Benedita desconversa. “Só ele sabe”. (Com informações de Fernanda Odilla, de Brasília / Folha Online).

Discurso

03_stfJoaquim Barbosa sendo cumprimentado pela presidente Dilma Rousseff

Durante a cerimônia que teve lugar no plenário do STF e contou com a presença de aproximadamente 1,5 mil pessoas, entre autoridades, acadêmicos e celebridades, Joaquim Barbosa fez um discurso em apontou um “déficit de igualdade” na Justiça. Para Joaquim Barbosa, “nem todos os cidadãos” são tratados da mesma forma quando procuram a Justiça.

“É preciso ter a honestidade intelectual para reconhecer que há um grande déficit de Justiça entre nós. Nem todos os cidadãos são tratados com a mesma consideração quando buscam a Justiça. O que se vê aqui e acolá é o tratamento privilegiado”, declarou o presidente do STF.

Mais adiante, o ministro disse que o acesso ao Judiciário precisa ser mais igualitário e eficiente, pois só assim “suscitará um espantalho” capaz de afugentar investimentos.

“O que buscamos é um Judiciário célere, efetivo e justo. De nada vale o sofisticado sistema de informação, se a Justiça falha. Necessitamos tornar efetivo o princípio constitucional da razoável duração do processo. Se não observada estritamente e em todos os quadrantes, o Judiciário nacional, suscitará, em breve, o espantalho capaz de afugentar os investimentos que tanto necessita a economia nacional”, declarou Barbosa.

Joaquim Barbosa lembrou em seu discurso que os magistrados devem considerar as expectativas da sociedade e que não há mais espaço para juiz “isolado”.

“O juiz deve, sim, sopesar e ter em conta os valores da sociedade. O juiz é um produto do seu meio e do seu tempo. Nada mais ultrapassado e indesejado do que aquele juiz isolado, como se estivesse fechado em uma torre de marfim”, afirmou o novo chefe do Judiciário nacional.

“Não se pode falar de instituições sólidas sem o elemento humano que as impulsiona. Se estamos em uma casa de Justiça, tomemos como objeto o homem magistrado. O homem magistrado é aquele que tem consciência de seus limites. Não basta ter formação técnica, humanística e forte apelo a valores éticos, que devem ser guias de qualquer agente estatal. Tem que ter em mente o caráter laico da sua missão constitucional [para que] crenças mais íntimas não contaminem suas atividades”, disse Joaquim Barbosa ao falar sobre a necessidade de os juízes terem consciência de suas próprias limitações.

Ao final, Barbosa lembrou que é preciso afastar o novo juiz da influência negativa. “Nada justifica a pouca edificante a busca de apoio para uma singela promoção do primeiro para o segundo grau de jurisdição”, enfatizou o presidente do Supremo.

“Justiça que falha e não tem compromisso com sua eficácia é Justiça que impacta direta e negativamente a vida dos cidadãos”, finalizou o ministro Joaquim Barbosa.

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