Novo Jornal acompanha peripécias do mais popular apresentador de TV, Paulo Wagner

Sílvio Andrade
Foto por Magnus Nascimento

paulowagner2 “Alô, meu povo!” A emblemática frase de Paulo Wagner virou nome de programa apresentado pelo próprio desde a última segunda-feira pela SIM TV, canal 17. Depois de dois anos, o deputado federal pelo PV encarna novamente o personagem brincalhão que fala direto ao povo através das câmeras.

O irreverente Paulo Wagner em cena

A reportagem do NOVO JORNAL acompanhou Paulo Wagner à transmissão do programa. Aliás, esta é a primeira vez que ele faz um programa totalmente ao vivo. O Patrulha da Cidade, que apresentou por anos na TV Ponta Negra, era pré-gravado. Por trás da aparência de truão do apresentador na TV, está um homem que se diz preocupado com as causas sociais.

A chegada de Paulo Wagner à SIM TV já é um acontecimento. Ele brinca com todos. Da recepcionista a quem vai encontrando pela frente. Percebe-se, no mínimo, se tratar de um carisma raro. Só a presença dele dá um estalo no estúdio. Ele também voltou ao rádio. Está na 95 FM com a equipe do Jornal da Manhã, a partir das 7h15.

Em uma hora do “Alô, meu povo!”, das 11h30 ao meio-dia e meia, Paulo Wagner fala sobre tudo que o incomoda. Os assuntos abordados são dos mais variados. Da possível demolição do Estádio Machadão às tornozeleiras eletrônicas para presos.

Paulo Wagner faz questão de chegar cedo, antes das 10h30, para conferir tudo que vai ao ar com o diretor Paulo Araújo. Entra no estúdio minutos antes de gravar o programa. “Tô vindo para uma casa onde todo mundo é igual, onde um tem respeito pelo outro, e eu tenho liberdade para fazer o que sempre gostei”, enfatiza.

O cenário do programa é simples. Dois painéis, um com foto desfocada de uma multidão e outro, uma vista aérea da cidade e a Ponte Newton Navarro em primeiro plano. Naquele espaço, o apresentador se regozija. Ao sinal de que o programa entrou no ar, PauloWagner entoa: “Alô, alô, alô, alô meu povo. Ligue agora 3234-3422”, diz em tom imperativo, iniciando a interação com o telespectador.

Ator que domina a cena, Paulo Wagner usa como ninguém o espaço dentro do cenário. Burlesco, faz piada de si mesmo e exagera nos movimentos ao sentar na cadeira por trás do púlpito. “A minha bunda é muito maior que essa cadeira”, fala, soltando o verbo, uma de suas características que conquistou o gosto popular.

Na sala do diretor do programa, ele conta que se sente muito mais à vontade ali do que no Congresso Nacional. “Eu estou deputado, mas minha vida é isso aqui (aponta o indicador direito para baixo)”, diz ao NOVO JORNAL.

Em 60 minutos do “Alô, meu povo!”, o apresentador que de tanta popularidade na tela conseguiu ser eleito deputado federal pelo Partido Verde com 55.086 votos, domina o veículo televisão com uma linguagem popular e gestos espalhafatosos. Ri, faz caretas, dança. Confirma que não perdeu nenhum dos rebolados depois de dois anos afastado da TV.

Para ele, apresentar um programa ao vivo é um desafio. Principalmente porque não há censura nas palavras das pessoas que ligam para o programa. Uma mulher identificada como Neidinha, de Igapó, por telefone, elogiou Paulo Wagner, disse que estava com saudades, que gostava muito dele, fez uma série de ataques à prefeita, sua amiga e correligionária. “Não voto mais na senhora prefeita Micarla de Sousa”, diz a mulher. O apresentador não demonstrou a menor saia justa. “O programa não cerceia a fala do povo”, declarou no ar.

No intervalo, Paulo Wagner faz piadas e arranca gargalhadas da platéia de técnicos e produção. Hora do merchandising. Depois, os amigos ligam para saudá-lo, como fez um deles identificado como Múcio, de Ceará-Mirim, que reclama da falta de água naquele município. Entra uma matéria dentro do programa sobre a feira do Carrasco, na Zona Oeste da cidade. “É onde o povo está”, diz.

Três câmeras no estúdio não perdem Paulo Wagner de vista. E olha que é preciso muito agilidade para acompanhá-lo em seus movimentos rápidos. “Já tem gente na linha?”, indaga e entra uma pessoa que não se identifica. É um homem, morador do bairro de Igapó, para defender Micarla de Sousa e contestar a mulher que condenou a administração da prefeita. Entra um depoimento dando boas vindas ao apresentador. O programa, explica o diretor Paulo Araújo, será uma porta aberta para mostrar novos talentos na música, dança, enfim, de todas as áreas. Nessa sexta-feira foi a vez do cantor Allan, da banda Rastafelling, de reggae, e que há sete anos está na estrada. Este foi um dos momentos mais hilários do programa. Depois de apresentar a banda, Paulo Wagner protagoniza seu momento, o show não pode parar. “Eu gosto muito de reggae”, completa ao fazer elogios à música e letra da canção. Fecha os olhos, dança, pula. Faz tudo que esperam dele.

Na TV com prazer

Paulo Araújo, diretor de “Alô, meu povo!” com Paulo Wagner, disse que o formato do programa foi todo feito para o apresentador. Alegre e com quadros diversificados. O programa tem a participação ao vivo do telespectador, apresentação de novos talentos, opinião. Na próxima semana entra “Zazá”, uma marionete no melhor estilo Muppet, sucesso entre as décadas de 1970/1980, fofoqueira que irá interagir com Paulo Wagner sobre a vida alheia. E o público em casa poderá alimentar Zazá com fuxicos. Segundo Paulo Araújo, a primeira semana do programa foi para tomar ritmo.

Dá perfeitamente para conciliar o trabalho de apresentador com as tarefas no Congresso Nacional, explica Paulo Wagner. “Em Brasília tem sessões terça, quarta e quinta-feira e eu fico por lá nesses dias. Lá eu não posso faltar”, enfatiza. O programa é gravado ao vivo na sexta e segunda-feira. Nos dois anos que passou longe da TV, diz, chegou a ter um princípio de depressão. “Dinheiro nenhum paga a emoção que a televisão proporciona”, exalta.

Seriedade na Câmara Federal

O trabalho no Congresso Nacional é duro e nem sempre reconhecido, descreve Paulo Wagner, 49, identificado em sua página na Câmara Federal como apresentador de televisão. Nos dias em que está em Brasília proclama que participa das sessões, das reuniões de bancada, faz discursos, projetos e participa de relatorias. “Uma semana é pouco”. Além disso, acompanha prefeitos do Estado nas peregrinações ao Distrito Federal em busca de verbas e projetos para suas cidades.

Membro titular de três comissões na Câmara Federal, suplente de duas, Paulo Wagner é um dos deputados mais assíduos da Câmara. E sente orgulho disso.

No programa da SIM TV, segundo o próprio Paulo Wagner, ele tem carta aberta para falar de tudo. “É uma TV apolítica, não é de políticos”, referenda. Sobre a sua volta não ter sido na TV Ponta Negra, de propriedade da prefeita Micarla de Sousa, onde consolidou sua carreira de apresentador, o deputado disse que não sabe por que nunca recebeu um convite para retornar àquela emissora. Segundo conta, a relação com os amigos que fez na TV Ponta Negra continua sólida, ao ponto de receber cumprimentos quando estreou na SIM TV.

Segundo Paulo Wagner, não há desentendimento algum com a prefeita Micarla de Sousa. “Recentemente acompanhei a prefeita na vista ao ministro da Saúde (Alexandre Padilha)”. Eleito por sua popularidade na TV da prefeita, Paulo Wagner frisa que com a aprovação das contas dela (no Cadastro Único de Convênios do Tesouro Nacional), a prefeita começa a governar a partir de agora porque antes estava inadimplente.

No Congresso, apesar da assiduidade, o deputado confessa ter se decepcionado por não poder resolver todos os problemas que gostaria. “É muito difícil aprovar um projeto”, destaca. O alento pelo trabalho está na apresentação de emendas parlamentares individuais, coletivas e de bancadas. É quando os deputados vêm concretamente a realização dos trabalhos. No primeiro ano um deputado novato não tem projeto, cita. Na sua página da Câmara consta que Paulo Wagner tem projetos de lei e proposições, foi relator de 12 e proferiu sete discursos em plenário.

Outra queixa do deputado é com os equívocos cometidos por parte da imprensa sobre sua carreira de apresentador e de deputado. “Muita gente acha que eu tenho de ser palhaço, mas não é assim”, pondera ao dizer que na Câmara leva o trabalho muito a sério. Os 25 anos de comunicador, frisa, o levaram ao reconhecimento por parte do povo e sua eleição é um exemplo disso, mesmo sem sobrenome e origem humilde. (Matéria publicada no Novo Jornal, Natal, edição do domingo, 14 de agosto de 2011). 

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