A interiorização da violência: uma ameaça a Areia Branca e à “Costa do Sal”

VIOLÊNCIA Uma realidade: a violência desenfreada avança em direção ao interior dos estados

O Mapa da Violência 2010, um estudo realizado pelo Instituto Sangari (in: http://www.institutosangari.org.br/mapadaviolencia/), revela, entre outros desenlaces, que está havendo um fenômeno de Interiorização da Violência.

O trabalho é uma pesquisa que analisa os índices de homicídios nos municípios brasileiros de 1997 a 2007. É claro que a apreciação do tema Violência envolve inúmeros outros fatores, mas um estudo como esse, ainda que examine apenas informações sobre mortes por homicídio, tem um peso significativo na discussão do assunto e, dificilmente, poderá ser desconsiderado como um ponto de referência.

VIOLÊNCIA I O dado que mais chama atenção nesse Mapa 2010 é que o pólo de crescimento da violência passou a concentrar-se no interior dos estados. Nas grandes capitais e regiões metropolitanas, observa-se estagnação e queda dos índices. De 1997 a 2007, as taxas de homicídios caíram de 45,7 por cem mil habitantes para 36,6 nas capitais e de 48,4 para 36,6 nas regiões metropolitanas. No Interior dos Estados, houve elevação de 13,6 homicídios por cem mil habitantes para 18,5 no mesmo período. É bom que se atente para o fato de que isso não indica que os números e índices de violência nas capitais e grandes aglomerações metropolitanas são menores que nas cidades interioranas, senão que, como está explícito no início do parágrafo, o crescimento das taxas de homicídios é que converge, agora, para o Interior dos Estados.

VIOLÊNCIA I Entre as várias razões da migração desse crescimento, uma tem interesse especial para Areia Branca: é o surgimento de centros de desenvolvimento econômico em cidades do interior, que se tornam atraentes para investimentos, mas que atraem, também, a criminalidade. Nossa Cidade e os outros municípios da “Costa do Sal”, por serem terras de grandes potencialidades turísticas e econômicas devido ao imenso litoral, às indústrias salineira, do petróleo e do setor pesqueiro, e outros, podem estourar, não duvidem, a qualquer momento, como a região de maior influência na economia do Rio Grande do Norte. E no meio desse “boom”, igualmente não tenham dúvida, virá o crescimento da violência.

VIOLÊNCIA I Diante dessa tenebrosa perspectiva, da visível ausência de modernos esquemas de proteção do Estado nas pequenas cidades do Interior e visto que, desde a instituição do Plano Nacional de Segurança em 1999 e do Fundo Nacional de Segurança em 2001, as prioridades são as capitais e as grandes cidades, há que se pensar, planejar e implantar, agora, um programa de segurança para Areia Branca. Nos noticiários, já se pode notar os primeiros sinais do aumento da criminalidade na Região. Por isso, não é mais aceitável tardar em tomar-se uma atitude. Certo é que providências pontuais até foram empregadas, como a tentativa de instalação de uma barreira policial na entrada da Cidade que, embora não tenham sido revelados dados estatísticos, enquanto funcionou, deve ter realmente contribuído para a diminuição dos crimes. No entanto, crer em que um ato isolado como esse pode resolver o problema da violência em Areia Branca é um pensamento reducionista para uma questão muito mais complexa do que se pode imaginar.

Portanto, a solução envolve uma estruturação mais ampla das medidas, como acontece, por exemplo, em relação ao Turismo, onde há até mesmo uma associação de municípios: o Pólo de Turismo Costa Branca. Mas, obviamente, o detalhamento de um plano como esse é um tipo de debate que já extrapola a esfera deste mero artigo. É uma tarefa que fica a cargo de gestores, políticos, autoridades e especialista no tema. … E, enquanto isso, nossa Cidade por eles espera…

De Brasília, Marcelo Mendonça

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