Homenageando Marquês de Sapucaí, Beija-Flor tenta bicampeonato do Carnaval do Rio

Tradicional escola de samba de Nilópolis tenta mais um título
A Beija-Flor foi campeã em 2015 cercada de muita polêmica com o
seu enredo sobre a Guiné Equatorial. Para o Carnaval 2016, a azul e branca de
Nilópolis optou por um homenageado menos polêmico: Cândido José de Araújo Viana,
o marquês de Sapucaí.
O enredo “Mineirinho Genial! Nova Lima – Cidade Natal. Marquês
de Sapucaí – O Poeta Imortal” contou a história do político que deu nome à
passarela do samba carioca, que foi ministro da Fazenda e da Justiça do Império,
Conselheiro de Estado, deputado, Presidente de Província e senador.
Atriz Cláudia Raia comemorou 30 anos desfilando pela Beija-Flor
Sem patrocinadores, a escola ainda assim entregou um desfile
cheio de brilho e luxo mesmo com fantasias mais leves, menos plumas e abusando
de materiais alternativos. Mas o enredo de pouco apelo popular não chegou a
empolgar o público.
Personagens já históricos do Carnaval carioca, a porta-bandeira
Selminha Sorriso e o mestre-sala Claudinho foram muito aplaudidos ao evoluírem
em frente aos setores 12 e 13, os últimos do sambódromo. Os dois já somam 25
anos de parceria. “É uma forma de reconhecimento para o público. Cada ano dá um
friozinho na barriga porque somos humanos”, comentou Selminha. “Minha fantasia é
de colombina, que sempre foi meu sonho. Dessa vez consegui realizar”, contou.
Beija-Flor abusou do luxo para lembrar do ciclo do ouro em Minas Gerais
À frente da bateria, a rainha Raíssa de Oliveira, há 14 anos na
escola, representou a nobreza da corte. “Minha preparação é rezar, fazer uma
oração, me benzo e entro com o pé direito”, contou ela, na concentração. Além
das musas, os ritmistas tiveram companhia de violinistas da orquestra da favela
da Maré, que tocaram durante o desfile.
Madrinha da escola, a atriz Cláudia Raia comemorou 30 anos
desfilando pela Beija-Flor. “Tenho muito orgulho de ser madrinha dessa escola
maravilhosa. Tenho um respeito muito grande pela comunidade de Nilópolis. A
organização dessa escola não tem para ninguém. Rumo ao bicampeonato”, disse à
atriz, sorridente, enquanto posava para fotos com fãs.
Comissão de frente representou o barroco mineiro
No segundo setor, a Beija-Flor abusou do luxo para lembrar do
ciclo do ouro em Minas Gerais, sobretudo nas cidades da região de Congonhas de
Sabará, atual Nova Lima, terra natal do homenageado.
Em seguida, o desfile da Beija-Flor passou à biografia do
marquês de Sapucaí, enfocando sua formação acadêmica com um carro que
representava seus estudos na prestigiada Universidade de Coimbra, em Portugal,
onde se formou em direito aos 21 anos.
A escola relembrou também a atuação política do homenageado,
que ganhou a alcunha de “O Executivo do Império”.
Bateria teve apresentação impecável
Encerrando o desfile, a passarela do samba –que é o motivo
pelo qual o nome do marquês de Sapucaí ainda é lembrado hoje– foi homenageada
com um carro nas cores da escola, cheio de beija-flores e espelhos, relembrando
os momentos marcantes da trajetória da própria agremiação, primeira a ser campeã
neste local de desfiles, em 1978, e também maior campeã da Sapucaí, com 11 de
seus 13 títulos obtidos nesse palco.

Confira a ordem dos desfiles no primeiro dia na
Sapucaí
21h30 – Estácio de Sá
Entre 22h35 e 22h52 – União da
Ilha
Entre 23h40 e 0h14 – Beija-Flor
Entre 0h45 e 1h36 – Grande
Rio
Entre 1h50 e 2h58 – Mocidade
Entre 2h55 e 4h20 – Unidos da Tijuca
Com informações do UOL, no Rio

Fotos: Julio Silva / André Campos

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