Seqüestro, assaltos à mão armada, roubos, furtos, violência no trânsito, prisões por tráfico de drogas, uma sucessão de acidentes automobilísticos com vítimas fatais… Até pouco tempo atrás os temas acima ilustravam a rotina das metrópoles classificadas como violentas, tipo Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza… Era uma realidade que parecia muito distante dos pacatos cidadãos da cidade de Areia Branca, um dos mais belos recôncavos marinhos do território potiguar.
Na madrugada do dia 30 de maio um veículo tipo Fiat Uno capotou violentamente na estrada de Ponta do Mel, região litorânea deste município, com cinco jovens que retornavam de uma festa na vizinha cidade de Porto do Mangue. No acidente morreram César Augusto Leonez e Delmyra Raniele Pereira (foto). Vítimas de uma mistura que não dá certo: álcool e velocidade.
Tentar apontar possíveis fatores que estariam influenciando tais acontecimentos é perda de tempo. O que se deve fazer para reverter a situação é justamente o que está sendo feito agora. As autoridades municipais e a sociedade estão dando as mãos na tentativa de resolver um dos mais preocupantes problemas da atualidade: a falta de segurança.
Em boa hora o governo municipal arregaçou as mangas e iniciou a construção da tão falada barreira policial na entrada da cidade. O benefício chega com atraso, mas antes tarde do que nunca. Poderá não ser a solução definitiva para os problemas que atormentam a população urbana, mas com certeza fará com que os malfeitores pensem duas vezes antes de tramarem seus planos diabólicos contra as famílias locais.
Terça-feira, 1º de junho. O comerciante Newton Araújo, sua esposa Francineide (foto) e uma filha do casal, foram abordados por uma quadrilha armada que os fizeram reféns e ficaram sob a mira de potentes pistolas automáticas por mais de uma hora, na própria residência do casal, na praia de Upanema. Os bandidos levaram uma vultosa quantia em dinheiro, jóias e outros pertences da família. Felizmente não houve agressão física, mas psicologicamente as vítimas continuam abaladas.
A tomada de decisão do governo municipal para combater a violência e devolver a paz e a tranquilidade à população areia-branquense, repercute em todos os setores. Além da instalação da barreira policial, está sendo reivindicada a vinda de mais policiais, assim como a designação de uma equipe do Grupo Tático de Operações (GTO) exclusivo para a cidade, pois o que atende atualmente o município é emprestado de Mossoró.
Outra providência atrelada ao sistema de segurança que se pretende implantar na cidade, é a instalação de câmeras (circuito fechado de TV) para monitoramento de ruas, bairros e áreas de grande fluxo de pedestres e veículos. A prefeitura incrementará, também, as ações da Guarda Municipal com a incorporação de novos integrantes treinados e mais veículos disponíveis nas rondas noturnas.
Quinta-feira, 3 de junho. A funcionária da Prefeitura de Areia Branca, Jane Araújo, perdeu o filho Lucas Araújo Duarte (foto), vítima de um violento choque da moto conduzida pela vítima, contra um Jeep que fez uma manobra criminosa para cruzar a pista, sem obedecer às Leis do Trânsito. Mais uma vítima da mistura álcool, velocidade e direção perigosa.
Mas para que todo esse aparato surta o efeito desejado e a sociedade tenha a resposta que procura, é necessário que haja a contrapartida da população. O cidadão precisa perder o medo e reagir para a sua própria segurança. E o que é preciso fazer? Denunciar. Qualquer veículo suspeito circulando na sua rua, em frente ao seu estabelecimento comercial, a presença de estranhos na cidade… Não custa nada telefonar para a polícia e pedir que façam uma averiguação. Tal atitude pode abortar um plano de seqüestro, um assalto, pode evitar um crime em andamento.
Quando a massa se movimenta, há uma reação em cadeia. Essa é a hora.
A foto no topo da matéria foi cedida pelo areia-branquense Lauro Duarte, que reside em Natal. Uma percepção primorosa, onde se vê a torre da igreja matriz sob o arco do monumento em homenagem ao Cônego Ismar Fernandes.