Fala, Memória: Delmyra, um ano de saudade…

del 3 Nesta segunda-feira, 30, completa um ano do acidente ocorrido na estrada de Ponta do Mel, que vitimou os estudantes areia-branquenses César Augusto Leonez e Delmyra Raniele Pereira, 19 anos. Eles vinham de uma festa em Porto do Mangue quando o veículo em que viajavam com mais três pessoas, sobrou numa curva e capotou violentamente diversas vezes. Ontem, 29, no programa “Domingão da 104” da Rádio Costa Branca (FM 104,3) a mãe de “Del”, como era mais conhecida, prestou uma homenagem à filha. Leia o texto, na íntegra.

DELMYRA, MAIS UMA VÍTIMA FATAL Del, como gostava de ser carinhosamente chamada, nasceu em uma bela tarde de sábado, 3 de Novembro de 1990, uma tarde que recebia o esplendor da beleza de uma criança vinda como um presente de Deus para nós. Morando na Praia de Upanema, a primogênita da família, Delmyra amada e desejada chegou trazendo em si a alegria que contagiava a todos com quem convivia. Aquela menina franzina, de pele morena e cabelos cacheados, desde pequena mostrava timidez diante de coisas simples que parecia ser estranha e desconhecida aos seus olhos.

O tempo passou e a menina cresceu, vivendo ali brincando, correndo naquela praia, dourada pelos raios do sol, banhada nas águas daquele mar… Aos quatro anos de idade, foi preciso mudar-se daquele que chamamos “paraíso” foi morar na cidade, pois chegara o tempo de estudar, conhecer outros mundos.

Viver em Areia Branca, foi como viver num mundo encantado, pois Delmyra apaixonou-se pela novidade de morar naquele lugar, apesar de ter personalidade diferente da irmã que tinha um jeito mais despojado, as afinidades entre ambas eram fortes e movidas pelo amor se tornaram amigas e companheiras inseparáveis, gostavam de fazer novas amizades e não tinham dificuldades para isso e assim o círculo de amigos cresceu rapidamente.

Sempre elogiada por sua de inteligência, resolver as coisas com sabedoria era seu potencial, essa menina já era uma mocinha e ganhar seu primeiro sutiã foi tão importante quanto ganhar a sua primeira bicicleta, diante desta fase de descobertas, Delmyra estava tendo outras visões, visão do seu mundo de dúvidas e foi crescendo e aprendendo com os ensinamentos de sua mãe e das realidades vividas e construiu seu castelo.

Amava ouvir música e dançar, sempre vaidosa. Privilegiada, mas, sempre lhe eram mostrada vidas adversas a sua para que pudesse ter equilíbrio diante do que possuía. Aquela menina se tornara uma jovem, embora ainda dependesse de opiniões ou sugestões de sua mãe a quem Delmyra respeitava e acreditava sempre e em muitos momentos as opiniões foram determinantes na sua decisão.

Fez-se adulta aquela menina da praia, inserida em um grande circulo de amigos, pessoas importantes e influentes em sua vida, a timidez já não era tão aparente parecia ter desistido de impedir aquela jovem de se divertir sem medos, Delmyra foi vencendo-a, pois a vontade de viver e transmitir alegria eram seu objetivo maior.

Mas… Estamos aqui só de passagem e nem sempre de malas prontas, Delmyra veio, cumpriu o que lhe foi permitido e viajou… Deixando-nos uma saudade imensa. Mas também nos deixou uma grande lição de vida “Amar, amar sem medida”.

Buscando Deus implorei explicações que me confortassem diante dos sentimentos de uma mãe que não pode ver, ouvir e sentir o calor de sua filha amada e encontrei algumas respostas aos meus porquês, hoje compreendo melhor o porquê de tantas fotografias, o porquê daquele sorriso lindo, alegria contagiante, a sede de viver cada segundo, o amor aos amigos e a vida! Pois, eram apenas 19 anos e ela tinha pressa em deixar-nos o seu melhor.

Conforta-me, ver que Delmyra é amada e lembrada da melhor forma, pois nos deixou momentos inesquecíveis, a alegria era o seu cartão de visitas e isso será eterno em nossas lembranças. Hoje vivemos em nome desse amor que dedicamos a ela que foi exemplo. Que Deus em sua infinita bondade e misericórdia nos abençoem e nos envolva com seu amor, agradecemos pelo presente maravilhoso de ter Delmyra conosco e que esse mesmo amor nos una cada vez mais hoje e sempre.

30/5/2011

Um ano de Saudades

Navegantes (mãe)

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