A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi libertada na noite de sexta-feira, 22, após a Corte de Cassação da Itália, última instância do Judiciário italiano, negar o pedido do governo brasileiro para extraditá-la. A decisão representa uma reviravolta no caso, já que instâncias inferiores haviam autorizado a extradição anteriormente.
Ao deixar a prisão, Zambelli publicou um vídeo nas redes sociais ao lado do advogado italiano Pieremilio Sammarco, responsável por sua defesa. Misturando italiano com português, ela celebrou a decisão, agradeceu a Deus e afirmou que pretende seguir atuando politicamente.
“Esse é o primeiro vídeo que eu faço em liberdade”, declarou. “Hoje, 22 de maio de 2026, dia de Santa Rita, a gente conseguiu”.
Relato de aplausos
A ex-parlamentar afirmou que o advogado “fez o impossível” ao enfrentar “um sistema gigantesco” e relatou que começou a aplaudir dentro da prisão ao receber a notícia da libertação. Segundo ela, outras detentas perceberam a movimentação e comemoraram junto.
“Todo mundo começou a ver que estava acontecendo alguma coisa. E aí eu peguei, aplaudi bastante, para ficar feliz”, contou.
No vídeo, Zambelli atribuiu a decisão judicial à fé religiosa e disse ter “consagrado” a vitória a Deus ainda dentro da prisão.
“Essa vitória foi de Deus. Eu consagrei nossa vitória a Deus e disse bem alto dentro da prisão: cada um de vocês que crê em Deus, Deus vai abençoar”, afirmou.
Ela também sugeriu que pretende anunciar novos passos políticos ou pessoais nos próximos dias. “Agora a gente está livre, graças a Deus, para continuar uma vida de missão. Vocês não sabem ainda qual é essa missão, mas logo, logo vão saber pelos meus canais”, declarou.
Segundo a defesa da ex-deputada, a Corte de Cassação reconheceu erros nas decisões anteriores que haviam autorizado a extradição. Com isso, Zambelli poderá responder ao restante do processo em liberdade na Itália.
Reviravolta após decisões favoráveis à extradição
A negativa da Corte de Cassação muda o rumo do caso envolvendo a ex-deputada. Nas instâncias inferiores da Justiça italiana, o pedido de extradição feito pelo Brasil havia sido aceito, embora a medida ainda não tivesse sido executada porque cabiam recursos.
Zambelli foi presa em Roma, em julho do ano passado, após fugir do Brasil em meio ao cumprimento de um mandado expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Com dupla cidadania, ela buscou permanecer na Itália após ser condenada pelo STF a 10 anos de prisão pela invasão aos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2023.
Segundo as investigações, a ex-deputada foi apontada como autora intelectual do ataque hacker que resultou na emissão de um falso mandado de prisão contra Alexandre de Moraes. O hacker Walter Delgatti, também condenado no caso, afirmou ter executado a invasão a pedido da parlamentar.
Após a fuga de Zambelli, o governo brasileiro formalizou o pedido de extradição às autoridades italianas.
Segundo revés internacional ao STF
A decisão italiana ocorre meses após outro pedido de extradição ligado a investigações conduzidas pelo STF ser rejeitado na Europa.
Em dezembro do ano passado, a Justiça da Espanha negou definitivamente a extradição do blogueiro Oswaldo Eustáquio, investigado por suposta participação em atos antidemocráticos.
Na ocasião, a Justiça espanhola afirmou que o brasileiro era alvo de uma investigação com “motivação política”.
Eustáquio estava foragido desde 2020 e havia deixado o Brasil durante as apurações sobre ataques ao STF e ao Congresso Nacional articulados por meio das redes sociais.
Com informações Congresso em Foco