Casa Museu guarda a história do município com valioso acervo de mais de 15 mil peças

MUSEU IIIVisitante (de chapéu) com Máximo Rebouças em frente ao museu

Fundada em outubro de 2003, a Casa Museu Máximo Rebouças guarda em seu interior um acervo riquíssimo. São mais de 15 mil peças catalogadas e inúmeras outras espalhadas nos compartimentos do que outrora foi uma casa de moradia. Esse é o único museu existente na cidade e talvez um dos mais importantes no interior do Rio Grande do Norte pela variedade de componentes que o seu fundador, Máximo Júnior Rebouças, 49 anos, professor das redes estadual e municipal de ensino, conseguiu juntar.

Numa das poucas manhãs de folga, na semana passada, Máximo Rebouças recebeu a reportagem do jornal O Mossoroense para falar um pouco da Casa Museu que leva o seu nome. “Minha vida está ligada diretamente ao museu, tenho por ele uma dedicação extrema”, diz Máximo Rebouças, que fala do empreendimento como se fosse um ente querido próximo. Cada peça é guardada com o mimo de quem sabe o valor inestimável que ela representa.

MUSEU Tudo começou com uma feira cultural realizada na Escola Municipal Santo Expedito, onde Máximo Rebouças é professor. A escola está localizada na comunidade litorânea de Redonda, que tem uma peculiaridade: o povoado já mudou de lugar mais de uma vez por causa da invasão da areia das dunas. A exposição envolveu os alunos da escola e tinha como tema o resgate da história do lugar. “Com essa feira pudemos conhecer objetos antigos que pertenciam aos moradores de Redonda, coisas valiosas, do ponto de vista histórico”, explica.

“Foi com aquela feira cultural que tudo começou”, conta Máximo Rebouças, adiantando que a primeira peça adquirida para o seu museu fora um rádio de pilha ABC (A Voz de Ouro, lembram?) doado por um morador da comunidade de Redonda. “A partir dali fomos ampliando nosso acervo, sendo que muitas peças e objetos foram doados, mas também tivemos que comprar algumas. Como fazemos na atualidade”, conta.

Mas segundo ele, todo o esforço é compensado diante da certeza de estar contribuindo para preservar a memória da cidade e do seu povo. Só lamenta que os próprios areia-branquenses não valorizam o museu e muitos não sabem sequer que ele existe.

Com relação ao acervo, Máximo Rebouças cita os equipamentos herdados dos extintos cinemas da cidade (Cines São Raimundo e Miramar) como as peças mais valiosas. “São projetores, rolos de filmes, ingressos… Peças aparentemente sem valor nenhum, mas que têm um significado muito especial para os que viveram aquela época”, diz em tom saudosista.

Peça mais antiga arquivada data do ano de 1869

Na Casa Museu Máximo Rebouças a peça mais antiga é uma moeda datada de 1869. Há, ainda, roupeiros de 1890, da época dos escravos. E muitos documentos relacionados à cidade, quando ainda era vila.

MUSEU II Entre as muitas peças classificadas como  valiosas, destaque para os objetos extraídos de um navio que afundou na costa areia-branquense, entre as localidades de Redonda e São Cristóvão. A embarcação teria ido a pique durante a II Guerra Mundial, com um grande carregamento de bebidas e cristais caríssimos.

Quem visita o museu se impressiona com a quantidade de peças em exposição. Mas Máximo Rebouças se queixa da falta de espaço para colocar o que tem guardado na sua casa, que na verdade é uma extensão do museu. Ele conta bem-humorado que tem peças espalhadas até no quarto de dormir, o que causou a revolta da esposa, devido à falta de espaço para a locomoção do casal. “Na verdade, o que seria a nossa residência hoje se confunde com o próprio museu, dado o volume de peças e equipamentos amontoados nos compartimentos”, acrescenta.

O desafio agora, segundo Máximo Rebouças, é ampliar a estrutura física do museu para montar uma réplica da histórica Escola de Datilografia do Professor Cizinho e do estúdio fotográfico do saudoso Antônio do Vale de Souza, o “Toinho do Vale”, profissional que documentou os momentos mais marcantes da história do município por meio da fotografia. “Temos que fazer isso para resgatar esse rico material, senão parte da história de Areia Branca se apagará com o tempo”, ressalta.

Outro projeto que depende da ampliação do museu é a montagem dos móveis do quarto daquela que foi uma das educadoras mais queridas na cidade, a professora Geralda Cruz. Esses móveis, todos confeccionados artesanalmente e que estão em perfeitas condições, foram presentes de casamento do noivo João Duarte a Geralda Cruz, na época.         

MÁXIMO REBOUÇAS NO SEU CASA MUSEU O professor Máximo Rebouças (foto) confessa que manter o museu é muito difícil, pois não recebe ajuda financeira de nenhum órgão e não dispõe de recursos para contratar pessoas para ajudar, principalmente na limpeza do prédio. “Tudo que existe no museu é resultado do meu suor e também das ajudas recebidas de pessoas que visitam o museu e espontaneamente fazem doação em dinheiro. Mas nós não estipulamos valor, fica a critério dos visitantes”, justifica.

A Casa Museu funciona sem horário de visitas determinado, por falta de pessoas para atender os visitantes. Quando Máximo Rebouças não está, a filha dele, a historiadora Micarla Natana Lopes Rebouças, 21 anos, é quem cuida do local. “Minha filha herdou o gosto pelo museu, então isso me conforta, pois sei que quando eu não puder mais cuidar do local, ela dará continuidade a esse trabalho de resgate e preservação da história da nossa gente”, diz.

Mas quem quiser conhecer a Casa Museu Máximo Rebouças pode agendar visita. O endereço é rua Antônio Quixabeira, 04, bairro São João, Areia Branca. Telefones para agendamento: (84) 3332-4525 / 9634-4285.

O professor, que nas horas de “folga” exercita a poesia (tem sete livros publicados e pelo menos mais cinco prontos para ir à gráfica), não possui e-mail porque no museu não tem computador. “Tudo é catalogado manualmente ou na velha máquina de datilografia. Inclusive minhas poesias são todas datilografadas”, finaliza.

* Matéria de Luciano Oliveira publicada em 28 de Novembro de 2010, capa do caderno regional do jornal O Mossoroense.

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