As vacinas contra a Covid-19 utilizadas no Brasil passarão por uma atualização para acompanhar as variantes do coronavírus atualmente em circulação. A medida, determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), tem como objetivo manter a eficácia da imunização diante da evolução do vírus e segue uma estratégia já adotada em diversos países para garantir maior proteção à população.
A nova instrução normativa estabelece que as vacinas deverão ser monovalentes e conter, preferencialmente, a variante LP.8.1 como antígeno. Também poderão ser utilizadas formulações derivadas da cepa JN.1, desde que apresentem resposta imunológica eficaz contra as novas formas do causador da doença.
Segundo Igor Queiroz, infectologista e professor do curso de Medicina da Universidade Potiguar (UnP), integrante da Inspirali, ecossistema da Ânima Educação que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil, a atualização faz parte do plano de combate à Covid-19 e não representa motivo de preocupação.
“Essa atualização é esperada e faz parte da estratégia de enfrentamento à Covid-19. Como o coronavírus sofre mutações ao longo do tempo, as vacinas também precisam ser atualizadas para continuar oferecendo a melhor proteção possível contra as variantes em circulação. É o mesmo princípio adotado há anos na atualização das vacinas contra a gripe”, explica.
Acompanhamento
Os imunizantes produzidos e distribuídas antes poderão continuar sendo utilizados durante um período de transição de até nove meses. O médico reforça que a mudança na composição não significa que tenham perdido a eficácia. “É importante deixar claro que as vacinas anteriores continuam sendo eficazes, especialmente na prevenção de casos graves, internações e mortes. A atualização não significa que elas deixaram de funcionar, mas que passam a oferecer uma proteção ainda mais direcionada às variantes que circulam atualmente”, afirma.
Igor Queiroz esclarece ainda que a atualização periódica das vacinas acompanha um processo natural da evolução dos vírus respiratórios. “A evolução dos vírus é um processo natural. A vigilância genômica identifica quais variantes estão predominando e orienta a atualização das vacinas, garantindo que elas continuem eficazes ao longo do tempo”, destaca.
Vacinação é principal forma de prevenção
Embora o número de casos graves tenha diminuído em relação aos primeiros anos da pandemia, o docente da UnP/Inspirali lembra que o coronavírus continua circulando e que a vacinação permanece como o principal método de proteção, especialmente para os grupos prioritários.
“A pandemia deixou de ser uma emergência sanitária global, mas o vírus continua circulando. Por isso, idosos, gestantes, pessoas imunossuprimidas e outros grupos de maior risco precisam manter a vacinação em dia para reduzir as chances de complicações”, orienta.
Além da imunização, medidas simples permanecem fundamentais para reduzir a transmissão de doenças respiratórias. Entre elas estão a etiqueta respiratória e a adoção de cuidados: “Quem apresentar sintomas respiratórios deve evitar o contato com pessoas mais vulneráveis, reforçar a higiene das mãos e procurar atendimento médico caso haja sinais de agravamento. Além disso, sempre que houver indicação, manter a vacinação em dia continua sendo a forma mais eficaz de prevenção”, conclui.