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Do campo ao Centro de Operações, colaboradoras da Voltalia como a Técnica de O&M, Elizamara Silva, compartilham desafios e trajetórias de ascensão profissional no mês do Dia Internacional da Mulher

Mulheres ampliam protagonismo em funções estratégicas da Operação & Manutenção de usinas renováveis no RN

Historicamente dominado por homens, o setor de energia renovável começa a refletir uma transformação silenciosa. Do trabalho em campo no cluster Serra Branca ao Centro de Operações e Geração (COG) da Voltalia, em Mossoró, colaboradoras vêm assumindo funções essenciais na rotina de Operação & Manutenção de plantas geridas pela empresa, em uma atuação que combina qualificação, resiliência e uma nova perspectiva sobre o próprio ambiente de trabalho.

Ao ocupar espaços profissionais antes pouco acessíveis, elas ampliam o olhar sobre processos, fortalecem a cultura de segurança, estimulam a colaboração e a comunicação entre as equipes e demonstram, na prática, que a diversidade contribui para a eficiência operacional e a evolução contínua do negócio. São trajetórias marcadas por esforço, estudo e superação, que ajudam a redesenhar o perfil do segmento e ganham ainda mais simbolismo no mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher (8 de março).

Oportunidades que impulsionam mobilidade social na região

Filha de mãe solo e a primeira da família a concluir uma formação profissional, a técnica de O&M de parque solar da Voltalia, Elizamara Silva ainda se lembra do entusiasmo e da emoção que sentiu nos seus primeiros dias de trabalho em 2023. “É um parque de dimensões gigantescas, com mais de um milhão de placas solares. Lembro de ter pensado: ‘Nossa, aonde foi que eu cheguei?’”, recorda. Ficou marcado na memória também o apoio que recebeu dos seus colegas de trabalho. Natural de João Câmara e com diploma de Técnica em Eletrotécnica e Tecnóloga em Energias Renováveis pelo Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), Elizamara foi a primeira mulher contratada pela Voltalia para ser técnica de energia solar em campo.

Para custear os estudos, passava as manhãs vendendo doces ao lado da mãe. Foi um período árduo e decisivo, que mudou o rumo da sua jornada profissional e ascensão social. Elizamara destaca que o acesso à educação permitiu uma ruptura em seu contexto familiar. “Minha mãe não teve a chance de estudar, mas sempre incentivou e apoiou para que vivêssemos outra realidade. Esta é a primeira oportunidade em que tenho de carteira assinada. Então, para mim, estar hoje trabalhando na área é uma conquista muito grande”.

Flexibilidade e atualização constante

A rotina de Elizamara é intensa e exige disposição. Boa parte do dia é passada ao ar livre, percorrendo áreas extensas dos parques para realizar inspeções em módulos fotovoltaicos, verificar estruturas, realizar manutenções preditivas e corretivas e executar testes elétricos. Ela destaca que um dos aspectos que mais valoriza em seu trabalho é o dinamismo. “Nenhum dia é igual ao outro. Sempre tem algo novo para aprender, alguma tecnologia que exija que eu me atualize”.

Vivian Costa, operadora do COG, destaca a tomada de decisões em tempo real como um dos aspectos mais desafiadores do seu ofício. Responsável pelo monitoramento contínuo das usinas, faz parte da sua rotina executar manobras operacionais para viabilizar manutenções e assegurar a estabilidade e geração dos ativos. “Há momentos em que surgem situações inesperadas na operação. Nessas circunstâncias, precisamos avaliar rapidamente o cenário e os riscos envolvidos, tomando decisões imediatas, pois cada escolha pode impactar diretamente a segurança das equipes, a estabilidade do sistema e a disponibilidade dos ativos”, conta.

Vivian Costa, operadora do COG da Voltalia

Agilidade, tomada de decisão e representatividade

Vivian iniciou na Voltalia em março de 2021 como estagiária, enquanto concluía o curso técnico em Eletrotécnica pelo IFRN. Após a formação, foi efetivada como técnica de O&M em trajetória consistente de crescimento na área. Para ela, o aumento da presença feminina no setor demonstra que competência não tem gênero e que há espaço para quem está preparado. “A presença feminina nessas áreas fortalece a representatividade e cria um ambiente de apoio mútuo. Quando vemos outras mulheres ocupando posições técnicas e estratégicas, percebemos que esse espaço também nos pertence”, comenta a operadora que hoje cursa graduação em Engenharia na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) e ambiciona voos profissionais ainda mais altos.

Técnica de BOP (Balance of Plant), a recifense Janaína de Almeida, formada em Eletrotécnica pelo IFRN, integra a equipe de O&M responsável por garantir que a subestação opere com segurança, confiabilidade e disponibilidade. “Atuo diretamente na rotina operacional e na conservação dos equipamentos. Para que o elo entre as etapas de geração e transmissão não seja rompido e não ocorra indisponibilidade no sistema”, explica.

No início da carreira no setor, ela enfrentou os desafios de atuar em um ambiente predominantemente masculino, especialmente quando surgiam atividades que exigiam maior esforço físico. “Precisei encontrar a minha forma de agregar e contribuir. Percebi que nem sempre se trata de força, mas de técnica, estratégia e colaboração” conta. O incentivo e suporte de seus colegas de trabalho foi um facilitador para que ela pudesse desempenhar cada vez melhor a sua função. “Digo para ela: tudo que tenho hoje, um dia foi um sonho bem distante”.

Qualificação e dedicação abrem portas para mulheres no setor de renováveis

Como conselho para jovens que desejam ingressar no setor das renováveis, as três destacam a importância da qualificação técnica e da confiança na própria capacidade. “Estudem porque nada vem sem esforço. É uma área promissora e aberta a profissionais que ainda não possuem experiência, mas têm qualificação”, aconselha Elizamara. Vivian reforça que é fundamental não se deixar intimidar por eventuais barreiras. “É uma carreira desafiadora, que exige preparo e responsabilidade, mas extremamente gratificante para quem busca crescimento técnico e profissional”, afirma.

Janaína de Almeida, técnica de BOP na Voltalia

Para Janaína, determinação é a palavra-chave. “Nosso sucesso está diretamente ligado à força de vontade e à convicção de que nós mulheres podemos ocupar qualquer espaço. As mulheres que conseguem construir carreira em um ambiente predominantemente masculino, constroem “pontes” para que outras mulheres enxerguem que é capaz de ocupar esse espaço também, independentemente de preconceitos ou barreiras culturais”, frisa.

Sobre a Voltalia (www.voltalia.com)

A Voltalia é um player internacional no setor de energias renováveis. A empresa produz e vende eletricidade gerada a partir das fontes eólica, solar, hídrica e de biomassa. Também presta serviços em projetos de energia renovável para terceiros, desde a concepção e desenvolvimento do projeto até a operação e manutenção de suas plantas e venda de energia.

A companhia está presente em 20 países e conta com mais de 2.000 colaboradores. No Brasil, está presente há mais de 15 anos. Possui mais de 1,6 GW em operação e construção e um pipeline de aproximadamente 6 GW de projetos em diferentes fases de desenvolvimento em diversos estados. Além disso, atingiu 8,1 GW na prestação de serviços de O&M no país, sendo 6,7 GW para terceiros.

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