Correios de Areia Branca atrasam entrega de correspondências; em crise, estatal corre “contra o relógio” para não ser privatizada

Estrutura dos Correios em Areia Branca é uma das melhores da região (Foto: Reprodução)
Estrutura dos Correios em Areia Branca é uma das melhores da região (Foto: Reprodução)

Problema antigo, moradores de diversos bairros e ruas da cidade voltaram a reclamar da agência dos Correios de Areia Branca sobre o atraso na entrega das correspondências. Passados 20 dias do mês de abril e os carteiros ainda não passaram nas residências no conjunto habitacional IPE.

Procurado para dar explicações sobre o atraso na entrega das correspondências, a gerência local dos Correios disse apenas que o órgão está enfrentando alguns problemas, sem adiantar detalhes. Disse também que não tinha autorização para falar em nome da empresa, qualquer assunto nesse sentido teria que ser tratado diretamente com a superintendência, em Natal.

Para os usuários dos serviços oferecidos pelos Correios, a situação é complicada, pois é frequente o atraso na entrega de boletos, títulos e tarifas em geral.

Para as pessoas consultadas, o atraso se justifica pela deficiência no número de carteiros nas ruas. O que não privilégio apenas de Areia Branca. Surgem reclamações de todos os recantos do país.

Demissão e privatização

Em meio à mais grave crise financeira de sua história, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) somente no primeiro trimestre de 2017 registrou um prejuízo estimado de R$ 400 milhões. O número exato, no entanto, ainda não foi fechado. A estatal tem acumulado prejuízos nos últimos anos.

Recentemente o ministro de Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab, afirmou que os Correios correm “contra o relógio” para evitar a privatização. Segundo Kassab, a estatal necessita de um profundo corte de gastos para não ser privatizada.

Nesta quinta-feira, 20, o presidente dos Correios, Guilherme Campos, afirmou que a demissão de servidores concursados está na pauta e vem sendo estudada. Segundo o presidente da estatal, os Correios não têm condições de continuar arcando com sua atual folha de pagamento e contratou um estudo para calcular quantos servidores teriam que ser demitidos para que o gasto com a folha fosse ajustado.

Em 2016, os Correios anunciaram um Programa de Demissão Incentivada (PDI) e pretendia atingir a meta de 8 mil servidores, mas apenas 5,5 mil aderiram ao programa. “A economia com esses 5,5 mil é de R$ 700 milhões anuais e essa marca alcançada com o PDI fica aquém da necessidade da empresa. Precisamos ter outras ações para enxugamento da máquina da empresa”, afirmou Campos.

Rombos e fechamento de agências 

presidente dos Correios, Guilherme Campos (Foto: Reprodução)
Presidente dos Correios, Guilherme Campos (Foto: Reprodução)

Como reflexo dessa crise histórica, a empresa planeja também fechar cerca de 200 agências neste ano, além de uma série de medidas de redução de custos e de reestruturação da folha de pagamentos. Segundo os Correios, o fechamento de cerca de 200 agências acontecerá sobretudo nos grandes centros urbanos.

A empresa acumula dois rombos de R$ 4 bilhões nos últimos dois anos. Os Correios fecharam o ano passado com prejuízo em torno de R$ 2 bilhões, após registrar perdas de R$ 2,1 bilhões em 2015.

A empresa possui atualmente cerca de 6.500 agências próprias, além de mais de 1 mil franqueadas.

Plano de Saúde

Para Campos, outro ponto fundamental para reestruturar o orçamento dos Correios é encontrar um novo formato para o plano de saúde dos funcionários dos Correios, o Postal Saúde. Segundo ele, este custeio é o responsável pela maior parte do déficit registrado nos últimos anos.

Pelo modelo, a estatal arca com 93% dos custos dos planos de saúde e os funcionários com 7%. “Estamos negociando com os trabalhadores, com os sindicatos, buscando uma alternativa. Nos moldes que está é impossível de ser mantido”, diz. (Com informações do G1).

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